A Hapvida atravessa 2026 com uma estratégia voltada à transformação operacional e financeira, combinando medidas de curto prazo com iniciativas estruturais para recuperar margens, ampliar a geração de caixa e reduzir a alavancagem. Sob a liderança do CEO Luccas Adib, a companhia passou a concentrar esforços em eficiência, sustentabilidade dos contratos, otimização da rede e melhoria da experiência dos beneficiários.
Durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre, realizada nesta quinta-feira (13), Adib detalhou as principais medidas em andamento e reforçou que a companhia trabalha com o objetivo de construir um 2027 mais previsível, apoiado em disciplina de execução e decisões orientadas por indicadores de desempenho.
“Estamos trabalhando incansavelmente no nosso Plano de Transformação para ajustar nossa rota, cujo norte está calcado em recuperação de margem, geração de caixa com consequente desalavancagem e melhoria do nosso produto, a partir da revisão da jornada do beneficiário”, afirmou o CEO durante a apresentação.
A estratégia da nova administração combina ações comerciais, operacionais e financeiras. A remuneração da gestão também passou a estar atrelada a indicadores de recuperação de margem, geração de caixa, desalavancagem e melhoria da experiência dos beneficiários.
No segundo trimestre, a receita líquida da companhia avançou 3,9%, alcançando R$ 7,97 bilhões. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos reajustes contratuais, que contribuíram para elevar o tíquete médio mensal para R$ 305,90, alta de 5,7%.
A base de beneficiários encerrou junho com 8,67 milhões de vidas. Embora tenha registrado uma redução de 16 mil beneficiários no trimestre, o resultado representa uma melhora em relação aos períodos anteriores e ocorre em paralelo à retomada comercial observada em importantes mercados.
Estratégia comercial busca crescimento com maior qualidade
A Hapvida registrou adições líquidas positivas de beneficiários durante cinco meses consecutivos na região metropolitana de São Paulo e há dois meses no Rio de Janeiro. A companhia pretende ampliar esse modelo para outras regiões estratégicas, incluindo o interior paulista, Sul, Minas Gerais e o segmento corporativo.
A estratégia contempla uma revisão da arquitetura de produtos e canais, além de ajustes de preços, rede e relacionamento com corretores. O objetivo é combinar crescimento da carteira com maior qualidade e sustentabilidade dos contratos.
Dentro desse movimento, a companhia também lançou a marca NotreDame Saúde como opção premium de planos de saúde, inicialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. A proposta amplia o portfólio da empresa e busca atender consumidores com maior demanda por serviços diferenciados e uma experiência mais personalizada.
A rede associada ao produto inclui hospitais de referência e laboratórios de atuação nacional, reforçando o posicionamento premium da marca e criando oportunidades de crescimento do tíquete médio.
Rentabilidade passa a orientar decisões sobre contratos e rede
Outro eixo do Plano de Transformação é a análise da carteira sob a perspectiva de rentabilidade. Cerca de 947 mil beneficiários, equivalentes a aproximadamente 11% da base, passaram por uma avaliação mais detalhada envolvendo critérios de rentabilidade e inadimplência.
Segundo a companhia, contratos que apresentem margens negativas poderão ser renegociados ou eventualmente encerrados, sempre em conformidade com as condições contratuais e com a legislação vigente.
Na operação assistencial, a Hapvida também adotou uma análise individualizada de hospitais, clínicas e estruturas de diagnóstico. Entre os critérios avaliados estão ocupação, escala de pessoal, mix de especialidades e utilização das unidades.
A iniciativa já resultou na racionalização de centenas de leitos que estavam ociosos, contribuindo para adequar a estrutura operacional à demanda efetiva.
A companhia também prevê a redução de mais de 30 unidades, considerando fechamentos e a revisão de aberturas planejadas. A conclusão desse processo está estimada para os próximos 60 dias, sempre com base em indicadores de utilização e capilaridade.
Eficiência também alcança prestadores e despesas administrativas
Na relação com prestadores terceiros, a Hapvida vem ampliando iniciativas de renegociação, redirecionamento de volumes e empacotamento de procedimentos.
Em São Paulo, aproximadamente 40% do custo cirúrgico já havia sido incluído nesse modelo nos últimos 60 dias. A estratégia deverá avançar para o Rio de Janeiro e para o interior paulista, com potencial de ampliar a previsibilidade dos custos assistenciais.
A companhia também está revisando contratos administrativos que representam mais de R$ 4 bilhões em despesas anuais. A padronização dos prazos de pagamento é outra medida em implementação e deve contribuir para melhorias no capital de giro a partir do terceiro trimestre.
Tecnologia reforça combate a fraudes e desperdícios
A área de riscos também passou por uma reestruturação, com maior utilização de inteligência artificial, dados e ferramentas estatísticas para identificar possíveis irregularidades e combater fraudes e desperdícios.
De acordo com a administração, a Hapvida já recuperou valores relacionados a fraudes nos últimos 60 dias e protocolou dezenas de notícias-crime e ações contra envolvidos em esquemas identificados.
A utilização de tecnologia e análise de dados integra uma estratégia mais ampla de aumento da eficiência, permitindo que a companhia aprimore seus mecanismos de controle e concentre recursos na atividade assistencial.
Gestão com foco no médio e longo prazo
Durante a apresentação dos resultados desta quinta-feira (13), Adib reforçou que a transformação da companhia não será concluída em poucos trimestres. A proposta é executar as medidas de forma gradual, acompanhando os indicadores e ajustando as iniciativas conforme os resultados.
“Não é uma trajetória simples e nem linear. A recuperação exige disciplina de planejamento e execução, além de técnica e senso de urgência, sem ansiedade. Temos um diagnóstico claro, um plano em curso e devemos ser cobrados pela execução”, explicou o CEO durante a apresentação dos resultados.
O executivo também destacou que a prioridade da companhia está na construção de uma operação mais sustentável, com decisões orientadas pelo médio e longo prazo.
“O foco nessa nova fase é organizar todo o fluxo ao longo desse trimestre somado à sustentabilidade. Priorizando o resultado a médio e longo prazo nos próximos trimestres, vamos focar na sustentabilidade e priorizar a recuperação a médio e longo prazo”, afirmou Adib.
Para o CFO da Hapvida, Lucas Garrido, as iniciativas estão sendo implementadas em diferentes etapas e devem amadurecer ao longo dos próximos trimestres.
“O foco desta nova fase é claro: decisões coordenadas que melhorem nossa rentabilidade, gerem caixa e acelerem a desalavancagem. São iniciativas implantadas em ondas, que vão amadurecer ao longo dos próximos trimestres e devem começar a mostrar resultados. Seguimos empenhados e confiantes no médio e longo prazo”, afirmou Garrido.
Com a combinação entre disciplina financeira, revisão operacional, fortalecimento comercial e investimentos em tecnologia, a Hapvida busca criar uma estrutura mais eficiente e sustentável. A estratégia coloca a recuperação das margens e a geração de caixa no centro das decisões, sem perder de vista a expansão comercial e a melhoria da jornada dos beneficiários.
O plano apresentado pela companhia sinaliza, assim, uma fase de reorganização com foco em fundamentos operacionais e financeiros, preparando a Hapvida para um novo ciclo de crescimento com maior previsibilidade e sustentabilidade.

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